Somos literatos, estamos acostumados à rejeição de nossa poesia. Estamos acostumados a ver 3 palavras fúteis e mal combinadas receber um reconhecimento maior que um trabalho produzido e lapidado por mais de 5 horas, com palavras sutis, que buscam traduzir do mais interior do homem aquilo que ele sente. Somos literatos, estamos acostumados a ser taxados de ridículos por alguns 'cidadãos'. É natural que não tenhamos amores, que não tenhamos utopias realizadas, que não nunca escrevamos em momentos de felicidade plena. Sempre tem algo a ser conquistado, ou algo que nos fere. Já dizia o poeta :
"Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
deixando um acre sabor na boca.
- Eu faço versos como quem morre"
Costumo dizer que não escrevo quando quero, mas é a poesia e a literatura que se escrevem por mim. Sabemos que teremos de nos contentar vendo a pessoa amada com outrem, mas suportamos. Esse é o intuito, isso nos faz escrever, isso nos faz compor arte. Isso é literatura e poesia.
Gabriel Mendanha de Loiola, Rio de Janeiro, 14/02/2012
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